Quando é hora de desistir¿?
Fazemos perguntas sobre o tempo como se outra pessoa soubesse o valor disso além de nós.
Então, há outra maneira de reformular essa pergunta e talvez, apenas talvez, obter um vislumbre da resposta?
Desistir é, por definição, um verbo que implica admitir uma derrota, ou deixar de se esforçar. O que é realmente maravilhoso é como a Oxford Languages dá uma segunda definição, que é deixar-se dominar pela emoção ou pelo vício.
Ah! E se desistir for uma emoção e um vício?
As emoções não têm histórias, pois são uma mistura de temperos que você já sentiu, mas os vícios sim. Cada história de vício é uma história de amor.
Eu peguei seu interesse?
Diz-se que dois espaços só podem se encontrar em um terreno comum. Se por acaso esses dois se encontrarem em uma ponte, chamamos esse espaço de vício. O vício exige dois para dançar o tango: um que busca a travessia e outro que escolheu morar na ponte. Um se move enquanto o outro fica parado.
A pessoa fica viciada em algo que gostaria de poder segurar pelo maior tempo possível, mas sabe que não pode. A impermanência da vida alimenta uma história de amor entre o viajante e o anfitrião. O impossível torna-se possível por algum tempo e a pessoa fica equilibrada pelo triunfo do amor.
Enche você como a fumaça do tabaco enche seus pulmões.
Corre no seu sangue como o vinho tinto.
Os vícios são apenas uma experiência fractal de uma memória distante que escolhemos manter. Enche-nos, da mesma forma, outrora experimentado em primeira mão.
Vícios são sobre alguém. Alguém que amamos e sentimos muita falta. Alguém que veio e partiu. Alguém que encontramos e deixamos para trás.
Vícios são sobre reviver o abandono repetidamente. Uma onda de calor que desaparece em horas. No entanto, a beleza do que já foi vivido faz tudo valer a pena.
Os vícios desencadeiam a culpa de ser o que ficou para trás, assim como a de ser o que vai embora. O que estou tentando dizer é: ambas as escolhas são igualmente vivenciadas pela emoção e pela perda.
¨Gostaria de ter ficado mais tempo¨ e ¨Por que não saí com ele(a)?¨ são possibilidades que, no momento em que poderiam ter feito uma troca pelos dois, não eram uma opção. A impossibilidade do encontro desses dois mundos não deu aos dois outro desejo senão experimentá-lo plenamente, sem futuro, sem passado. Envolto pela glória do amor, sabe-se que não há mais nada a pedir a não ser vivê-lo como vier, enquanto durar.
Quanto maior a improbabilidade de dois espaços se encontrarem, mais pura a sensação, porém mais curta a permanência.
Vícios são apenas histórias de amor que não vamos deixar passar. Não porque não possamos, mas porque ainda não encontramos nada que gostemos mais do que aquela memória que escolhemos reviver.
A pergunta ¨Quando é hora de desistir de memórias e reviver o passado?¨ vem em par com ¨Quando é hora de seguir em frente?¨. Parecem iguais mas um é feito pelo espaço que escolhe ficar. A outra é feita por aquele que está pronto para partir.
Ambos têm a mesma resposta: quando a vida chega e te traz um amor maior. A forma mais elevada de amor é o amor-próprio, e é mais elevada do que qualquer outra forma de amor que você tenha experimentado por outra pessoa. É escolher sua própria natureza. No nosso caso, quando o espaço que se move opta por fazê-lo, e quem fica opta por ficar.
Você está dizendo que largar um vício não é algo que a pessoa pode escolher e fazer?
Oh, é, mas só o fará quando amar mais alguma outra coisa, que é a si mesmo.





































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